Mea Culpa Iterum

É hoje que te vou escrever. Não, não vou só "escrever". Vou "escrever-TE"! A ti, a minha melhor amiga até 2011.

Não tenciono humilhar-te, nem ofender-te. Só te quero dizer que agora somos só primas. Eu amei-te, como amo os meus irmãos e os meus pais. Eu amei-te da mesma forma. Eu só queria que tu sentisses que podias contar comigo. E podias mesmo! Talvez eu nunca te tenha dito isto mas eu dava a minha vida por ti, naquela altura. Isso mudou, ao mesmo tempo que também nós mudámos.

Talvez eu parecesse um pouco complicada, mas não era. Eu só não queria ter que me justificar. "Eu sei que combinei sair hoje contigo, mas o meu corpo e consciência pedem-me para ficar em casa." Era só o que eu queria ter coragem de te dizer e nunca fui capaz. Mea culpa. Eu sabia que o melhor para nós as duas era parar de te pagar tudo e fazer-te ver que a vida é complicada e injusta. Eu sabia bem que defender-te quando não tinhas razão não era saudável para nenhuma de nós. Eu sabia que mentir-te não ia fazer de ti uma melhor confidente. Porque a verdade é essa - tu não sabes guardar segredos. E também não sabes pôr-te no lugar do outro. Mas eu sabia disso tudo. Só nunca tive coragem de mudar a minha estratégia para ser a tua melhor amiga. Fui pelo caminho que me pareceu ser o mais fácil para te ajudar. Porque eu sei bem que tu não tens ajuda. Aliás, o mundo sempre me pareceu conspirar contra ti e era isso que me movia. Eu não queria estar contra ti. Mas estive, em certos momentos. Mea culpa iterum.

Isto, para te dizer que já te perdoei há muito tempo o quanto tu me tentaste magoar. Só não me perdoei completamente a mim, pelo mal que me fiz, por estupidez. Nunca me vou esquecer, de nada, nem dos bons nem dos maus momentos. Fico com as memórias e com as lições. Essas são minhas. E nelas está a nossa amizade. Uma grande lição da qual terei sempre boas e más lembranças.

A tua sempre prima,
Ana

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