Não sei.

Há 10 anos atrás emigrei para o outro lado do mundo. Foi a experiência mais difícil da minha vida e também a mais transformadora. 
Mentalmente, sofri as dores mais horríveis. Fisicamente, nunca tinha ficado tão fraca. Foram, no entanto, os 6 anos e meio que me tornaram mais forte em toda a minha vida.
3 anos e meio depois de ter voltado para Portugal percebo que ainda estou nesse processo de transformação, de fortalecimento e de autoconhecimento. Processo esse que provavelmente nunca mais acabará. 
Apesar de às vezes me sentir forte, orgulhosa de mim mesma e do meu percurso, sinto-me muitas vezes o extremo oposto. Parece que há algo de que não me consigo libertar, porque ainda não consegui identificar o que é. 
Ganhei este hábito de agarrar o touro pelos cornos mas para o conseguir agarrar preciso de o ver. E eu ainda não o vejo. 
Sei que serei sempre um ser desassossegado por natureza. Descontente com o status quo. Como é que se lida com este desassossego? Eu não sei. Vou sobrevivendo com ele. Dando o meu melhor todos os dias. E vou sobrevivendo à impressão de que o meu melhor não é sequer perto de suficiente. Ou será? Não sei. Não sei se algum dia saberei. 
As vezes sinto que sim e às vezes sinto que não. Sei que às vezes tenho razão, só não sei quando.

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