Todos os dias aprendo. Todas as pessoas me surpreendem. A maioria negativamente.
Faz hoje 40 dias que deixei tudo no meu país para lutar por uma vida decente. Preparada para massacrar o corpo, perder a privacidade, para a Saudade de tudo o que deixei para trás. Preparada para muitas coisas difíceis, que nenhum ser humano fraco de mente suportaria. Não vinha (de todo!) preparada para a realidade que encontrei.
Foram, sem dúvida, as pessoas que mais amei na vida que mais me desiludiram. E desta não é excepção. Apesar dos tantos erros que tenho consciência que essa pessoa cometeu, não achei que se desresponsabilizaria das suas consequências.
Há erros com consequênciais de tempo curto e limitado, que se resolvem. Há erros que nos dão consequências para o resto da vida, é o caso dos filhos. São bênçãos. Mas por vezes são a personificação das consequências de grandes erros do passado. Têm corpo e alma. Sensibilidades e personalidades. Saber que tudo isso lhe parece passar ao lado. Encarar a realidade de que acha que todos à sua volta são responsáveis por erros que ela cometeu por decisão própria, foi demasiado duro para mim. Julgava-a a um ser humano mais consciente, mais maduro e mais empenhado. Enganei-me, como tantas vezes já me enganei nesta vida. Erro meu iludir-me, assumo.
Encarar a realidade de que é viciada. Realidade que nunca devia ter esquecido. Já o fora e eu sabia-o. Simplesmente tentei ignorar e apagar da memória. Sou capaz de ser tão consciente e tão ingénua ao mesmo tempo. O álcool altera o carácter, altera a realidade aos olhos do viciado. Mas a verdade é que o acto de beber é uma escolha. Escolha essa que toma todos os dias sem remorso. Sem sequer querer saber o quanto magoa quem a rodeia.
Dividir a cama com o hálito, o roncar e o ranger de dentes provocado pelo alcool é o maior trauma que levo desta casa. Digo levo, porque partirei, por tanta mágoa me ter causado, tanta dor psicológica. Ver que a pessoa que em pequena admirei e tentei copiar, pela sua inteligência e perseverança, desapareceu. Não existe. Encavalita-se no sentido de responsabilidade de quem quer só ajudar. Todos somos capazes de dar a mão, mas por pouco tempo aguentamos que nos puxem pelo braço. E eu, sou demasiado premeditada para cair nos mesmos erros que assisti, ao vivo e a cores, outros caírem. Leia-se premeditada como inteligente. Medito previamente. Tomo decisões conscientes. Consequência de erros. Sim, porque também muitos cometi, simplesmente assumi as suas repercussões. Assim, amadureci. Assim, aprendi a ser alguém melhor e mais justo.
A vida é isto - caminhar, tropeçar, cair, levantar. Caminhar, não tropeçar no mesmo sítio, levantar a cabeça e continuar.
Faz hoje 40 dias que deixei tudo no meu país para lutar por uma vida decente. Preparada para massacrar o corpo, perder a privacidade, para a Saudade de tudo o que deixei para trás. Preparada para muitas coisas difíceis, que nenhum ser humano fraco de mente suportaria. Não vinha (de todo!) preparada para a realidade que encontrei.
Foram, sem dúvida, as pessoas que mais amei na vida que mais me desiludiram. E desta não é excepção. Apesar dos tantos erros que tenho consciência que essa pessoa cometeu, não achei que se desresponsabilizaria das suas consequências.
Há erros com consequênciais de tempo curto e limitado, que se resolvem. Há erros que nos dão consequências para o resto da vida, é o caso dos filhos. São bênçãos. Mas por vezes são a personificação das consequências de grandes erros do passado. Têm corpo e alma. Sensibilidades e personalidades. Saber que tudo isso lhe parece passar ao lado. Encarar a realidade de que acha que todos à sua volta são responsáveis por erros que ela cometeu por decisão própria, foi demasiado duro para mim. Julgava-a a um ser humano mais consciente, mais maduro e mais empenhado. Enganei-me, como tantas vezes já me enganei nesta vida. Erro meu iludir-me, assumo.
Encarar a realidade de que é viciada. Realidade que nunca devia ter esquecido. Já o fora e eu sabia-o. Simplesmente tentei ignorar e apagar da memória. Sou capaz de ser tão consciente e tão ingénua ao mesmo tempo. O álcool altera o carácter, altera a realidade aos olhos do viciado. Mas a verdade é que o acto de beber é uma escolha. Escolha essa que toma todos os dias sem remorso. Sem sequer querer saber o quanto magoa quem a rodeia.
Dividir a cama com o hálito, o roncar e o ranger de dentes provocado pelo alcool é o maior trauma que levo desta casa. Digo levo, porque partirei, por tanta mágoa me ter causado, tanta dor psicológica. Ver que a pessoa que em pequena admirei e tentei copiar, pela sua inteligência e perseverança, desapareceu. Não existe. Encavalita-se no sentido de responsabilidade de quem quer só ajudar. Todos somos capazes de dar a mão, mas por pouco tempo aguentamos que nos puxem pelo braço. E eu, sou demasiado premeditada para cair nos mesmos erros que assisti, ao vivo e a cores, outros caírem. Leia-se premeditada como inteligente. Medito previamente. Tomo decisões conscientes. Consequência de erros. Sim, porque também muitos cometi, simplesmente assumi as suas repercussões. Assim, amadureci. Assim, aprendi a ser alguém melhor e mais justo.
A vida é isto - caminhar, tropeçar, cair, levantar. Caminhar, não tropeçar no mesmo sítio, levantar a cabeça e continuar.
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