Perder.
É dia 23 de Dezembro de 2015, tenho 27 anos e sinto-me a perder. Não sei se vou perder, sei que estou a perder... Como um jogo de futebol que está dois a zero mas ainda não chegou ao intervalo. Não sei se vou acabar derrotada, mas estou a perder.
O mais difícil destes três anos não foi a solidão em si, até porque gosto de estar sozinha. O mais difícil foi o que tamanha solidão me obrigou a enfrentar: a mim mesma. "Quem sou eu?" foi a primeira pergunta a que tive que responder. "Porque é que eu sou como sou?" foi a segunda e aquela em que me encontro a responder neste momento. Custou-me muito descobrir quem sou, mas descobrir os porquês tem sido infernal.
Recordar os momentos mais horríveis da minha infância foi duro. Passei a vida a tentar convencer-me que tive uma infância perfeita, que os meus pais fizeram tudo perfeito e que todos os problemas que tivemos foram um grande azar, que só nós é que tivemos esses azares. A minha casa é um poço de lindas imperfeições que eu não quis ver. A minha família não é perfeita mas é muito humana.
Talvez um dia me prolongue sobre isto... Quando tiver mais respostas e quando já não estiver a perder. Nunca gostei de perder mas há derrotas necessárias.
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